
Um guia baseado em pesquisas tenta estreitar a distância entre informação e ação.
Uma enquete recente revela: o número de americanos que acredita no fato de a atividade humana mudar o clima da Terra está diminuindo - de 47%, caiu para 36% - mesmo com dados científicos de peso que continuam crescendo rapidamente. Uma nova publicação investiga o que se passa na mente humana para causar essa contradição, e o que os comunicadores da ciência climática podem fazer a respeito disso.
O guia de 43 páginas, The Psychology of Climate Change Communication (A Psicologia da Comunicação nas Mudanças Climáticas, ainda sem tradução para o português), lançado no dia 4 de novembro pelo Centro de Pesquisas sobre Decisões Ambientais (CRED, na sigla em inglês) da Universidade de Columbia, analisa como as pessoas processam as informações e decidem agir, ou não. Usando pesquisas sobre as reações de grupos tão diferentes quanto fazendeiros africanos e eleitores conservadores dos Estados Unidos, ele oferece ideias para que cientistas, educadores, jornalistas e outros possam efetivamente se conectar com o resto do mundo.
Para os não-cientistas, o clima pode parecer ora confuso, ora opressivo e ora politicamente tendencioso, dizem as autoras Debika Shome e Sabine Marx. O guia mostra como o conhecimento científico em evolução pode ser transmitido sem enfrentar obstáculos previsíveis. Usando oito princípios básicos, ele identifica táticas que cientistas e profissionais podem utilizar para aumentar as chances de as pessoas entenderem o que eles estão dizendo e, quando apropriado, se mobilizarem. Isso inclui focar questões complexas de maneira que as pessoas possam relacionar a sua própria realidade. (Nova-iorquinos podem ser mais sensíveis à ideia de que a subida do nível do mar ameaça inundar seus metrôs, do que à ideia de que isso também afeta grande parte de Bangladesh.) As autoras dizem que cientistas e jornalistas também precisam fazer um trabalho melhor de escolha ao focar o que merece atenção ao invés de se aterem a incertezas menores - por exemplo, concentrar-se no forte consenso de que o nível do mar crescerá no século 21, em vez de confundir leitores com discordâncias sobre quanto exatamente esse nível crescerá.
“Ganhar o apoio do público para as políticas sobre mudanças climáticas e encorajar um comportamento ambientalmente responsável dependem de um entendimento claro de como as pessoas processam informação e tomam decisões”, dizem Shome e Marx. “As ciências sociais fornecem uma parte essencial deste quebra-cabeça”.
Cópias impressas gratuitas e uma versão online interativa do guia estão disponíveis no site do CRED.
Ilustração: Ian Webster (retirada da versão online do guia)
Texto original em inglês enviado por: Prof. Renzo Taddei/Universidade Federal do Rio de Janeiro e Profa. Mirna Tonus/Universidade Federal de Uberlândia
Tradução livre e adaptação: Felipe Saldanha e Paula Arantes
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